Este é um espaço predominantemente pessoal e familiar, mas não se limita a esta categoria. Tem como proposta fundamental apresentar pensamentos, relatar experiências, propor discussões, criar novas amizades e consolidar as já existentes.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Outros Carnavais


Nunca fui um folião convicto, daqueles que seguem trio-elétricos e blocos carnavalescos pelas ruas. Prefiro assistir o movimento pelos noticiários da TV ou no máximo, levo a namorada até o bairro da cidade velha, e a certa distância e sem muito remelexo, apreciamos a animada bagunça dos brincantes. Talvez por isso o carnaval de 1999 tenha sido marcante. Estava na companhia dos meus amigos do curso de Biologia: Tuca, Marcelo Pinheiro, Rosyvaldo, Ronildon, Bruno, Jackson, Luís e Marcos Pedro. Fazíamos parte do chamado Clã Canalha, que apesar desta denominação pouco atrativa, não guardava, seguramente, qualquer relação com nosso caráter, nossa cordialidade e educação. Neste ano, pedalando em nossas "super-bikers", conhecemos as cidades de Soure, Salvaterra, Joanes e Cachoeira do Arari, incluindo o museu do Marajó e o ilustre Pe. Giovane Gallo. Algumas vezes nos hospedamos na casa de garotas marajoaras conhecidas ali mesmo na ocasião, noutras, nos abrigamos na barraca da santa, visitamos ruínas antigas, fizemos trilhas ecológicas, acampamos em praias, entre outras loucuras. Incontáveis foram as quedas em atoleiros e piçarras, banhos de igarapé e “surtos psicóticos”, cujos detalhes não caberiam nestas linhas. Interessante como uma minguada bolsa de iniciação científica fornecida pelo CNPq, permitia com que aqueles insanos realizassem tais epopeias. Não havia muito planejamento, nem dinheiro, nem tempo; apenas coragem e disposição para pedalar quilômetros, prontos a enfrentar quaisquer imprevistos, e não foram poucos. Era uma época sem internet, sem celular, sem notebooks, (pelo menos para nós), mas de alguma forma sobrenatural, conseguíamos organizar a agenda e sair pedalando por ai. Atualmente a maioria dos integrantes do Clã encontram-se gordos, carecas, com filhos, mulher, com responsabilidade profissional e o pior, sem bike. De fato a vida nos impôs outros carnavais.

Lembranças de uma infância

Um encontro casual possibilitou rememorar detalhes de uma época velada pelo tempo. Durante a releitura daqueles anos de 1983 e 1984, minha amiga Vania Roberta, atualmente senhora casada, mãe e empresária, gentilmente, cedeu-me esta foto, onde vemos uma menininha de dez anos. Esta florzinha fez parte de minha história escolar, compartilhando lições da nossa querida professora Carmem de Carvalho dur
ante a quarta série do ensino fundamental na Escola Estadual de Primeiro Grau Nossa Senhora das Graças.

Crianças são sempre crianças, mas naturalmente, algumas experiências típicas da infância podem ensaiar sentimentos adultos. Senhores pais e mães de crianças na faixa entre nove e dez anos de idade, não se enganem, não subestimem a capacidade que estes pequeninos possuem de sonha um grande amor. Infelizmente os anos passam e esquecemos quão prematuro surgem certos sentimentos, cuja magia das primeiras experiências encontra-se no platonismo das relações, na ingenuidade do desejo, na sutileza dos momentos e na efemeridade das lembranças. Sou grato a esta ilustre amiga que um dia fez bater mais forte o coração de um reles moleque de dez anos de idade. Nunca houve um único beijo, mas dali em diante foi quando tudo começou.

sábado, 29 de setembro de 2012

Por que doutor para os médicos?


O hábito social de tratar os médicos de doutro  surgiu em 11 de agosto de 1827 a partir de um decreto assinado por D. Pedro I, ao instituir os primeiros Cursos de Ciências Jurídicas e Sociais. Nessa Lei, consta no artigo 9 o seguinte:

Art. 9.º – Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bacharéis formados. Haverá também o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos, que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes (Lei de 11 de Agosto de 1827)

Dessa forma, o bacharel formado aquela época, em qualquer dos cursos, incluindo Medicina, seriam tratados por doutor, direito assegurado por lei. Em 1889 com a Proclamação da República e o fim do Império, as leis começaram a mudar e essa exigência caiu por terra. Após dois séculos de uso o termo consagrou-se na sociedade, adquirindo um significado distinto do outro termo “doutor”, que designa aquele que cursou pós-graduação strictu senso em nível de doutorado e portanto possui o título acadêmico de doutor..

Sendo assim, trata-se de termos homônimos e não sinônimos, um  passou a ser usado apenas um pronome de tratamento, ou outro, como título acadêmico. Para finalizar a discussão, o Código de Ética Médica, principal guia de conduta e princípios da profissão, não menciona que os médicos devam exigir da sociedade este “benefício”, consequentemente, nenhum médico em sã consciência irá obrigá-lo a tratá-lo como doutor, nem mesmo aqueles que possuem o título acadêmico. Aliás, esta necessidade de auto-afirmação da importância do papel social enquanto profissional, não pertence a classe médica. (Adaptação do texto de  Emerson Wolaniuk, In:  http://www.academiamedica.com.br/por-que-as-pessoas-chamam-os-medicos-de-doutor/)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não basta apenas clicar, é preciso envolver-se.

Neste cíclico processo de mudança a chuva lava, leva e escoa o velho hábito e anuncia a chegada de novos olhares.
O ato de escrever com a luz aos poucos vem adquirindo o necessário componente do rigor científico. Obviamente que desde o seu surgimento a fotografia sempre teve muita Ciência por trás de suas múltiplas manifestações. Porém, este conhecimento era escasso e fragmentado, uma consequência direta de sua irmã mais velha: a arte.

Por certo o campo artístico e cultural é rebelde por natureza, pois precisa ser capaz de impedir qualquer regra que limite ou oprima a criatividade e a livre expressão do espirito humano.
Consequentemente, muitos fotógrafos nasceram a partir da tentativa e do erro, cujo aprendizado foi conduzindo pela própria experiência, muitas vezes criada de forma assistemática e predominantemente artesanal.

Em pleno século XXI com a invasão da alta tecnologia dos sistemas digitais, democratizando o registro cotidiano das pessoas comuns a partir da simplificação da técnica fotográfica, frequentemente, ainda nos deparamos com mestres eminentemente artesãos, e não estamos falando de sexagenários, há muitos jovens neste meio.

Vivemos tempos em que o método científico no ensino-aprendizado da fotografia passou a ser considerado e percebido com mais intensidade, seja pela facilidade no acesso as publicações de livros e revistas especializadas sobre o assunto, que crescem exponencialmente, seja no planejamento e execução de cursos e oficinas por parte de instrutores qualificados, possuidores de competências e habilidades mínimas necessárias a boa formação de seus pupilos.

De fato somos uma geração privilegiada de aprendizes, testemunhamos um processo histórico de transição e de mudança de pensamento na transmissão do conhecimento em fotografia. Fugir do lugar comum e conquistar  uma imagem verdadeiramente criativa e cativante tem se tornado um desafio cada vez mais difícil aos meros curiosos. Hoje em dia por trás do visor da câmera fotográfica não basta apenas o talento, a criatividade e a arte, é preciso que haja Ciência.




domingo, 2 de setembro de 2012

De volta para o futuro

Uma aventura que marcou toda uma geração. O enredo era cativante, o cientista Dr. Emmett Brown cria a máquina do tempo em forma de carro e envolve o jovem Marty McFly em grandes apuros no passado de 1955. A trilha sonora é outro show sem igual. Lembro que o filme estreou em Belém em fevereiro de 1986 no cine Palácio e lógico que eu estava na estreia. Por muitos dias este filme formou fila gigantesca, que contornava o quarteirão do cinema. Alguns anos depois, o episódio 2 viria a retratar o futuro de 2015, uma época onde os carros voavam, os skats não tinham rodas e deslizavam no ar e os tênis possuíam mecanismos infláveis de acomodação para os pés. Contudo, curiosamente, não havia celulares nas mãos das pessoas.

Aqueles foram tempos aureos dos cinemas de rua, os quais constituíam uma das poucas, senão a única grande diversão da juventude dos anos 80. Algumas vezes formávamos caravanas para assistir aos filmes em cartaz, foi assim com Os Goones, A história sem fim, Karate Kid, Indiana Jones, entre outros. Depois chegou a febre dos videocassetes e visitar as locadoras de filmes passou a ser rotina.

O privilégio de assistir comendo pipoca na tigela com Baré tuti-frute, esparramados no sofá da sala, traz outras boas lembranças, sobretudo, a feroz disputa que travávamos para ver quem ficaria no melhor lugar, na melhor cadeira com o melhor ângulo de visão, claro que o dono da casa tinha sua poltrona garantida. Se alguém ia ao banheiro perdia o lugar, mas não o filme, pois "o pause" agora estava garantido. O chato mesmo era ter que devolver os títulos no dia seguinte na locadora Vídeo Clube do Pará, uma das primeiras a prestar esse serviço em Belém. Ah Dr. Brown... quisera eu passear pelas dobras do espaço-tempo num Delorean.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sistemas solares humanos

Famílias são como sistemas solares, algumas grandes, outras pequenas. Neste último fim de semana visitei uma amiga na cidade de Abaitetuba e sempre que chego sou recebido com muito entusiasmo e carinho por sua família, uma grande família tanto pelo número de pessoas quanto pela qualidade destas. Seu Miguel é o patriarca, um senhor de setenta e poucos anos, de hábito tranquilo e bastante prosador que, tal qual o sol agregando os planetas, também mantém por perto suas muitas filhas, seus vários genros, netos e bisnetos. É bonito ver a casa cheia de gente num entra e sai permanente, com risadas na cozinha, brincadeiras na sala, nos quartos e corredores, a casa é grande, mas maior ainda é a alegria daquela família reunida. Sim, seu Miguel é de fato uma estrela.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Julho em 2012

O verão na capital paraense teve início com uma semana traiçoeira que trouxe de volta chuvas torrenciais, alagamentos e lentidão no trânsito. Minha agradável caminhada entre mangas verdes e coxas maduras sobre o calçadão do Museu Goeldi foi temporariamente suspensa, até que o sol voltasse a dar o ar de sua graça entre as nuvens e, em seguida pudesse, educadamente, ceder lugar a lua e as estrelas. Mas para os artistas, noites chuvosas são perfeitas, pois alimentam o espírito sedento de inspiração. Seja como for, transitar pelas ruas de Belém durante o mês de julho e, sobretudo, nos finais de semana constitui uma experiência incrivelmente nostálgica. É um embarque na máquina do tempo rumo à épocas pretéritas cuja histeria das buzinas e motores ainda não prevalecia sobre o canto dos pássaros e o chichiar das cigarras. Essa melodia natural que nestes finais de tarde penetram nossos ouvidos, aquecem o coração e transbordam a mente de gostosas lembranças de outrora. É a magia do verão na Santa Maria de Belém do Grão Pará.