Este é um espaço predominantemente pessoal e familiar, mas não se limita a esta categoria. Tem como proposta fundamental apresentar pensamentos, relatar experiências, propor discussões, criar novas amizades e consolidar as já existentes.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

O olhar do Artista e o cérebro do Cientista

Desde a idade antiga já se conhecia vários fenômenos ópticos. Os historiadores relatam em cidades antigas como a Assíria já havia a lente de cristal. Na Grécia usava-se a lente de vidro como recurso para se obter fogo. Há também uma descrição sobre espelhos esféricos e parabólicos que se deve a Euclides, o mesmo da geometria plana; contudo os equipamentos ópticos e a compreensão perfeita sobre os fenômenos luminosos se desenvolveram somente a partir da era renascentista, com o aparecimento de maravilhas como os telescópios, os microscópios e é claro, as câmeras fotográficas modernas.
Com o apogeu do método científico, ciências importantes como a fisiologia e a anatomia humana saíram de sua infância para fazer páreo as suas irmãs mais velhas, física, química, biologia e outras. A partir de então, a luz foi sendo sistematicamente dissecada, ampliando geometricamente o conhecimento humano ao seu respeito. Não obstante, a luz ainda hoje causa espanto e encantamento, seja por sua natureza dual onda-partícula, seja pelo poder de dar vida, significado e cor ao universo humano.
Mesmo ignorando todos estes fatos, não há como ficarmos indiferentes ao momento mágico do toque da luz sobre a superfície de um objeto. A interação visual que temos com o mundo, está na dependência direta do intervalo de tempo entre as idas e vindas dos fótons sobre nossa retina. É dessa forma que somos informados não apenas sobre a existência física dos objetos que nos cercam, mas sobre da natureza transcendente destes. Tente você mesmo, basta dedicar alguns segundos olhando, mas não olhando apenas por olhar e sim, olhando com olhos de ver, e logo você se dará conta do poder da luz, ao presenciar a dança das cores incendiando prédios e movimentando planícies.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dicas de como fotografar como um profissional (6)

Etimologicamente falando fotografar é escrever com a luz, já que a palavra deriva do grego photus (luz), e graphein (grafia, escrita). Obviamente que para nos expressarmos adequadamente através da fotografia, devemos conhecer melhor sua técnica e fundamentos, tal qual acontece com os signos idiomáticos. Então convém conhecer três principais dispositivos que compõem, digamos assim, a anatomia das câmeras fotográficas DSLR.
         Objetivas
         Correspondem a um conjunto de lentes montadas no interior de um barril,dispostas e calculadas com precisão para produzir uma imagem no interior da câmera fotográfica, especificamente na superfície de um sensor eletrônico (no caso das câmeras digitais), ou sobre um filme (no caso das câmeras analógicas). As objetivas fotográficas possuem um elemento importantíssimo para o controle da luminosidade chamado de diafragma.
         Diafragma
         É uma combinação de lâminas metálicas ou de plástico que formam um orifício com graduações para possibilitar diversos tamanhos de aberturas. Juntamente com o obturador, o diafragma controla a quantidade de luz que entra na câmera fotográfica pela objetiva. Um orifício pequeno deixa passar menos luz que um orifício maior. Os diferentes tamanhos de orifícios correspondem a um parâmetro conhecido como f-stop. Então, um diafragma a f.2.8 (Lê-se 2.8 de f-stop) corresponde a uma abertura (orifício) grande, enquanto que f.22 corresponde a uma abertura pequena. Atenção aqui para um detalhe importante que muitos iniciantes confundem; conforme a abertura do diafragma aumente, o número (f). diminui seguindo uma proporção específica.
        A escala dos números f. surgiu a partir de uma abertura padrão teórica que permite a passagem de 10.000 unidades de luz, equivalendo a abertura f.1. Sua área ao ser dividida pela metade (f. ½), reduz a quantidade de luz a uma quarta parte de f.1. Portanto f.1 permite 10.000 unidades de luz e f. ½ permite 2.500 unidades de luz. Para facilitar o manejo dos cálculos da exposição, criou-se valores de abertura intermediários, os quais permitem a passagem da luz em quantidades proporcionalmente intermediárias.
      As objetivas modernas (mais recentes) têm sido construídas com abertura máxima de f.1.2, pois comprovou-se que aberturas abaixo desse valor acabam comprometendo a qualidade final da imagem, gerando profundidade de campo criticamente rasa, prejudicando o foco e outros parâmetros ópticos (trataremos da profundidade de campo em outro momento).
       Obturador
       Enquanto o diafragma regula a entrada de luz pela objetiva a partir da modificação da quantidade dos feixes luminosos, o obturador ajusta o tempo em que essa quantidade de luz entrará na câmera. Este tempo é geralmente muito rápido e quando combinando com a abertura do diafragma, proporciona a "exposição" fotográfica desejada, com infinitas possibilidades de criação e personalização da imagem captada, caracterizando a "presença" do autor na fotografia.
      Câmeras avançadas conseguem abrir e fechar o obturador numa escala de tempo que vai de 30 segundos a 1/8000 segundos, incluindo a função B (bulb) onde o obturador permanece aberto durante o tempo em que se pressiona o botão de disparador.
       Observe que a maior velocidade equivale a oito mil avos de segundo, ou seja, equivale a apenas uma parte das oito mil partes em que foi dividido o intervalo de um segundo, uma velocidade mais rápida que a piscada humana, justificando o porquê algumas pessoas acabam saindo com olhos fechados em certas fotografias. Em resumo o diafragma se situa no interior da objetiva e controla a entrada de luz na câmera, o obturador é um componente da câmera e controla o tempo de exposição da fotografia.
       Ao diminuir a luminosidade pelo diafragma (diminuir o orifício ou aumetar o f-stop), será preciso compensar aumentando o tempo de exposição e vice-versa. Observe que altera-se o diafragma e o obturador, mas permanece constante o "valor de exposição" (EV) que é a quantidade de luz resultante da soma entre diafragma e obturador. Contudo existem situações em que é mandatório a manipulação direta de EV, mas nesse caso, implica alterações concomitantes no obturador e no diafragma de forma automática.
        O EV portanto, corresponde à quantidade de luz necessária em determinada circunstância, para realizar o registro fotométrico adequado. Na maioria das câmeras compactas (amadoras), não é possível controlar o obturador e o diafragma de forma independente, no máximo o que se consegue é alterar os valores de EV, implicando em limitações quanto a exposições criativas, pois essas câmeras são projetadas para simplificar todo o processo, pois se destinam a uso popular. Tem como principal vantagem realizar o registro fotográfico de forma prática e sem complicações teórico-metodológicas, mas entre as muitas desvantagem, obtem-se fotogramas com uma escala de exposição limitada, calculada pela própria câmera, daí sua denominação mais clássica de “câmeras aponte e dispare”.
       No próximo post sobre este assunto falaremos das possibilidades de se realizar fotos criativas advindas da manipulação do obturador e diafragma.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

E lá vai o barco !

Nas águas às vezes rasas, noutras profundas o barco ruma para o horizonte da vida. Pequeno no tamanho mas grande no sonho. Um barco rústico feito com a disciplina e o empenho dos que nele navegam. Há momentos em que é movido por sangue, suor e lágrima. Noutros, por alegrias, amores, contentamentos. Na bússola, a esperança, a bordo sonhos, desejos, poesias.
A tripulação procura nas estrelas uma direção a seguir, talvez esteja no céu, quem sabe no mar, talvez não esteja em nenhum lugar, mas o importante é procurar. Ventos fortes sopram mas a brisa vem e tudo fica bem. Quando tudo parece impossível, descobrimos sempre uma saída, uma solução, o importante é procurar. Mas há algo diferente... alguém começa a cantar, na melodia o sinal, a harmonia, a dose certa, algo de sólido se enraíza: eis uma amizade. E o barco? Continua a navegar.


                                                                          
Atropelando os fantasmas do passado, o barco ruma para o norte, vai para o sul, sempre guiado pelos ventos do futuro conduzindo-o a uma terra que fica longe daqui, logo ali, perto d’aculá, em todo lugar. Nesta viagem, bancos de areia hão de nos desafiar, mas o luar,  ah! doce luar, se falasse o que diria? Quem sabe poder e utopia, um clima de magia, embaraços, fragilidades. Podemos tudo é verdade, então vamos empurrar. Avante! não esperem, antes uma pausa para comemorar.
Por estas águas muitos barcos já passaram, alguns rápido que não viram o segredo do lugar, outros por demais vagarosos fizeram destas águas uma viagem sem cores, talvez por não perceberem que ainda há de se descobrir à beleza do porvir. Mas o barco segue. Atrás ainda o porto, a frente, um céu de brigadeiro, e dentro, sim a chama ainda arde fortemente no espírito, na determinação e no talento de seus navegantes. Que não se apague jamais!

O sol se põe, o crepúsculo chega, e a brisa beija-nos com a esperança de um futuro promissor. Marinheiros, sejamos humildes, pois o novo mundo nos aguarda. No quebrar das ondas, nosso pequeno barco segue obstinado, e em sua proa, as águas expõem e oculta às palavras: turma B, Medicina-2002. UFPA.
Todos ao convés: terra a vista! Não,esperem... ainda é preciso navegar.

                                                 (Publicado em O Liberal em 28 de dezembro de 2002)
Camarão cabeça

"Cabeça de camarão, cabeça de cação, canção! Cabeça, cabeça, cabeça de mamão, canção, cação, coração, cabeça, cabeça de cação, cabeça de camarão, cabeça, cabeça, só cabeça, sem coração, sem opção, cabeça."

Cursando Biologia, e daí ?

A silenciosa batalha de nervos com seus encantos e desencantos possibilita que a angustia vivenciada em quatro horas durante a execução da prova, represente anos de renúncias e expectativas. Ao sair o listão, os bairros de Belém assistem a outra batalha, desta vez não nas salas dos cursos pré-universitários, mas nas ruas.
Em meio a projeteis de ovos, maizena e tinta, a azáfama dos aprovados delineia a paisagem: uns correm, outros choram, berram, pulam, se abraçam ou simplesmente estatelam-se em frente ao rádio, contorcendo-se ante a narrativa emocionada dos locutores das emissoras locais. Atendemos incrédulos às congratulações que chegam pelo telefone, pois é neste momento, que parentes e amigos surgem a todo instante, justamente na hora do sufoco psicológico. Carros desfilam pelas ruas rumo aos colégios e cursinhos - pontos estratégicos da fuzarca.
Uma vez confirmado o nome no listão, saboreamos imenso e singular prazer ao desfrutamos duas grandes alegrias: a realização do sonho de nos tornarmos universitários e, a satisfação nitidamente estampada no semblante de nossos familiares e amigo. De certo, finalmente chega o momento de gozar do "status" de universitário. Não raro nas esquinas da Tropicalíssima, cabeças femininas exibem tonalidades multicoloridas fazendo páreo à brilhantes carecas cheias de orgulho e sublimação, contagiando até aos mais precavidos ao som do regionalíssimo "Alô, alô, alô papai, alô mamãe..."
Contudo, diante da propalada exigência competitiva de uma sociedade globalizada em que o mercado de trabalho tende, cada vez mais, a absorver mão de obra especializada, a façanha de ter atravessado o funil do curso superior massageia as esperanças de um futuro promissor. 
Não obstante, a saga acadêmica está apenas começando. Durante algum tempo, inebriados pela sensação de alívio reconfortante ao ter alcançado o objetivo, maior do estudante do ensino médio, descansamos nossa mente dos alfarrábios secundarista, sonhando com a habilitação e a matrícula universitária. Agora tudo será diferente, pensamos! Permanecemos perseverantes e otimistas na certeza de que iremos realizar, a partir de então, o que ninguém nunca realizou, convictos de que somos senhores de nosso destino. Ledo engano! Não é preciso mais que dois meses para que as primeiras decepções saltem aos olhos. Talvez devido a nossa prepotência de jovens calouros vitimados por ilusões de um sistema educacional falho e deficiente.
Ao cabo de alguns meses, a ansiedade e o orgulho inicial, dão lugar a uma desconcertante sensação de obliteração e, quando muito, restando reles vestígios da emoção inicial. A válvula das desilusões abre-se exatamente quando diante de nós, irrompe-se uma realidade escrita com letras garrafais: "greve geral na universidade pública".
Assim, desmancham-se intrepidamente as promessas fantásticas do paraíso universitário, outrora, recheado de possibilidades profissionais. Percebemos finalmente, no alto das sapatas acadêmicas, que nossa verdadeira conquista não foi a “glamourosa” entrada no campus da UFPA - temperada a ovos, maizena e tinta, - mas tão-somente sua rápida, discreta e eficiente saída.
Lutamos para nos formar no tempo mínimo de integralização curricular. Desejamos realizar cursos, ganhar bolsas de estudo, participar de eventos acadêmicos, ter boas aulas, professores dedicados e, finalmente, percebemos que a experiência na universidade jamais se dissociará ao contínuo esforço em driblar as dificuldades, sejam interiores ou exteriores. Crescemos no exercício honesto de caminhar com as próprias pernas. Nesta batalha pela sobrevivência acadêmica, vamos enfrentando as competições presentes na formalidade burocrática do sistema ou na informalidade dos círculos de "amizades".
Obviamente nem todos sobrevivem, muitos se informam mais poucos se formam e, neste cenário de estudantes desiludidos, presenciamos alguns calouros se refugiarem no curso de segunda opção, simplesmente por não disporem de coragem suficiente para continuarem tentando a aprovação no curso em que realmente pretendiam, em geral os cursos mais concorridos. E em sendo assim, aproveito para compartilhar minha experiência pessoal com os futuros colegas de profissão.
Sabemos que inexiste uma fórmula para o sucesso acadêmico e profissional, entretanto, a experiência indica-nos que dispomos de muitas possibilidades para superar os percalços da profissão e o caminho mais sensato está na audácia em preservar a vivacidade da emoção inicial advinda do momento do vestibular.
A realização de uma graduação tranqüila e sem atropelos requer algumas atitudes as quais não constam no manual do calouro. Durante a graduação será comum não dispormos de tempo suficiente para a dedicação integral às atividades acadêmicas, mas é fundamental a disposição em buscá-lo incessantemente. 
       Aos legítimos calouros de Biologia, convém evitar trancamentos e reprovações em disciplinas. Não construa uma carreira com bravatas e cotoveladas; seja colaborativo e altruísta no convívio acadêmico. Informe-se permanentemente sobre estágios e oportunidades de trabalho, a fim de escrever o quanto antes, um currículum vitae participativo em eventos específicos na sua área de interesse.
É importante o conhecimento básico de línguas estrangeiras, Inglês principalmente, faça cursos livres, leia, escreva, pratique o cotidiano da pesquisa. A rotina redacional e o conhecimento de informática são outras exigências imprescindíveis à boa formação. Não espere para chegar no terceiro ou quarto ano do curso, para realizar estágios em ensino e pesquisa. Bolsas de estudo são regalias restritas mas, disponíveis a quem se planeja desde cedo a conquistá-las. Tive sorte de trilhar os caminhos da Biologia com amor e sem nunca ter perdido a fé e o brilho da emoção inicial. Quem sabe aqui estejam alguns ingredientes para se alcançar uma formação sólida e consistente em Ciências Biológicas e quiça um sucesso profissional.
                 


       Publicado no caderno Opinião de O Liberal em 28 de janeiro de 2000



Dicas de como fotografar como um profissional (5)

     Neste capítulo apresento algumas siglas e seus respectivos significados de acordo com cada fabricante (os mais populares). Estas siglas geralmente passam despercebidas, mas são importante por conterem informação sobre a qualidade e funcionalidade das objetivas fotográficas. Em geral fazem parte do universo das câmeras profissionais e/ou semi-profissionais, ou seja, das câmeras conhecidas como DSLR ou Reflex.
    Mas o que isso quer dizer? DSLR é a sigla em inglês para Digital Single-lens Reflex (Câmera Digital de Lente por Reflexo). Isso significa que uma DSLR é a versão digital de uma SLR (câmeras reflex analógicas ou de filme). Uma das principais diferenças entre uma câmera DSLR para uma câmera digital compacta (câmeras digitais comuns) é que ao invés da imagem ser captada diretamente por um sensor e em seguida ser reproduzida na tela de LCD atrás da câmera, nas DSLR existe um espelho associado a um pentaprisma, o qual serve para refletir a imagem para um visor (aquela janelinha atrás da câmera onde se aproxima o olho para tirar a foto). No exato instante em que se clica, esse espelho se recolhe e o sensor é exposto a luz que vem da objetiva capturando a imagem.

CANON
USM - Ultrasonic Motor, ou motor ultrassônico do autofocus, que pode ser do tipo anel ou micromotor;
mais rápido e silencioso que o motor convencional da marca.



IS - Image Stabilizer, ou estabilizador de imagem; permite velocidades de obturador até 2 pontos mais
baixas sem que a foto saia tremida.



EF - Electro Focus, objetivas autofocus desenvolvidas para câmeras da linha EOS.


L - Identifica lentes especiais, profissionais, com elementos óticos especiais (feitos com cristais UD, S-UD
ou fluorita); com foco e retrofoco internos (I/R) de última geração, dando maior velocidade ao autofocus;
com foco de toque manual com ação não interrompida, ou seja, mesmo no autofocus o fotógrafo pode
ajustar manualmente o foco sem precisar acionar a chave de modos de foco.

DO - Diffractive Optics, ou elemento ótico difrativo multicamada, que corrige a aberração cromática, de
características asféricas e superior ao cristal UD, permitindo lentes menores e melhores. Atualmente,
somente a nova 400 mm f/4 L IS USM tem essa característica.

FD - Sistema manual de lentes da Canon dos anos 1970 e 80 que usam um sistema de alavancas e pinos
mecânicos para transmitir informações para a câmera.

UD - Ultra Low-dispersion Glass (vidro de dispersão ultra baixa)
Elemenos de lentes fabricados com vidros UD tem um indice de refração menor do que as de vidro
comum. Tais elementos são, normalmente, usados para corrigir aberração cromática.


MINOLTA   (Atualmente extinta tendo sua tecnologia incorporada a Sony)AF - Objetiva autofocus.

APO - Define uma objetiva apocromática, com elementos óticos para que haja menor aberração
cromática.

G - São as lentes especiais da marca, com maior abertura e alto desempenho, com altíssima qualidade de imagem e com abertura circular, o que proporciona um "bokeh" maravilhoso. Finalmente, o G é de "Golden", se não me engano - tanto que todas as objetivas G têm um anel dourado, normalmente próximo à rosca do filtro.

SWM - "Supersonic Wave Motor". Denota objetivas em que o motor do AF está na objetiva e é muito rápido e silencioso.
HS - "High-Speed", em algumas objetivas "G". São objetivas que focam rapidamente apesar de não serem SSM.

D - Isso significa que a objetiva incorpora o mecanismo ADI ou "Advanced Distance Integration" para a determinação da potência do flash, dispensando o uso de preflash para determinar a exposição.

MF - Foco Manual

MD
- acredita-se geralmente que signifique "Minimum Diaphragm" pois as lentes MD têm uma aba para indicar qual a abertura mínima da lente ao corpo. No mais, são iguaizinhas às lentes MC.


NIKON

AI - Aperture Indexing Em 1977 a Nikon lançou uma série de lentes que podiam comunicar-se a abertura
da lente para o corpo da câmera através de um contato mecânico. Estas lentes são facilmente
identificadas pela "orelhas" de metal no seu topo (ver imagem). As que apresentam pequenos furos em
cada orelha são lentes AI ou AI-S

AI-S - Outra variação das lentes F da Nikon lançada em 1981. Essencialmente são lentes AI com suporte
para algumas automações a mais, como transmissão linear de informação de abertura.

AF/AF-S - As objetivas AF incorporam o motor de autofocus convencional da Nikon; as AF-S recebem o novo motor "Silent Wave" com foco automático mais rápido e silencioso.

AF-D - Uma das muitas variações da linha de lentes F da Nikon. As lentes Nikon tipo AF podem
transmitir informações de distância para o corpo da câmera. Os dados de distância do foco é usado pelo
sistema de medição de matrix 3D da Nikon e pelo sistema de medição 3D dos flashes.

AF-DX - São lentes autofoco Nikkor projetadas para SLR digitais Nikon com fator de corte de 1.5x. Elas
são menores e mais leves que as Nikkor padrão devido à não ter que cobrir todo o sensor (não fullframe).
Em geral elas não são utilizáveis em corpo Nikon 35mm.

AF-I - Autofocus Integrado. Em 1992 a Nikon seguiu o exemplo da Canon lançando uma nova serie de
lentes com motor integrado ao corpo da lente. Até então a Nikon só produzia sistemas autofoco no corpo
das câmeras. Estas lentes são equivalentes às USM da Canon.

IF - Foco interno, ou seja, o movimento dos elementos estão resumidos à parte interior, sem alteração
de tamanho externo da objetiva, o que permite lentes mais compactas e leves, além de distância de foco
mais curtas.

D/G - As objetivas tipo D e G informam a distância entre a câmera e o assunto ao corpo da autofocus
Nikon, o que tornou possível avanços na fotometria matricial 3D e no sensor para flash um
preenchimento mais equilibrado.

ED - São objetivas que têm o cristal ED de dispersão mínima de luz, o qual reduz muito as aberrações
cromáticas, com ganhos em nitidez e reprodução de cores.
Micro - São as lentes para macrofotografia da Nikon.

VR - Objetiva com redutor de vibrações (como o IS da Canon), que permite, no caso da Nikon, trabalhar
com até 3 velocidades abaixo da recomendada sem risco de foto tremida.


PENTAX

AL - Aspherical, lente com elemento asférico.

ED - Objetiva com elemento ótico de baixíssima dispersão de luz.

IF - Internal Focusing, ou foco interno, como o sistema de outras marcas.

FA - Objetiva autofocus.


SIGMA
ASP - Aspherical, lente com elemento asférico.Os elementos não esféricos de uma lente podem reduzir o
numero total de elementos necessários em um tipo de lente. Eles podem melhorar o desempenho e ao
mesmo tempo reduzir o peso e o tamanho da lente. As lentes Aspherical maximizam a qualidade ótica e
minimizam o tamanho e o peso das mesmas. As lentes Aspherical reduzem alguns problemas
normalmente associados com grande angulares e zooms, tais como flare e distorções das bordas.

APO - Apochromatic, lente com design apocromático e com cristal SLD, que baixa dispersão paradiminuir a aberração cromática.

IF/RF - Internal and Rear Focusing, ou foco interno e retrofoco, como o sistema de outras marcas.

HSM - Hyper Sonic Motor, ou motor hiper-sônico, que movimenta o autofocus.

UC - Ultra Compact, ou lente ultracompacta: pequena e leve.

DL - De Luxe, ou de luxo, lente com acabamento especial e preço atraente.

DF - Dual Focus, ou foco de duas formas, que permite a correção do foco automático manualmente.

HF - Helical Focus, ou foco helicoidal, de forma espiral, para eliminar a rotação da lente frontal.

EX - Excellence, ou excelente, que define a lente profissional da marca.

OS - Esta função utiliza um mecanismo embutido que compensa as trepidações que a camera pode causar. Expande consideravelmente as possibilidades fotográficas quando se está fotografando sem o auxilio do tripé. "Estabilizador ótico".

DG - Estas são objetivas de aberturas grandes com angulações e distancias focais curtas. Com abundancia de iluminação periférica, são ideais para cameras digitais SLR mantendo a usabilidade para as tradicionais 35mm SLR.

DC - Estas são objetivas especiais feitas para que o circulo da imagem encaixe no menor tamanho de sensor da maioria das cameras digitais SLR. Seu design especializado dá a estas objetivas as ideais propriedades da camera, e sua construção leve e compacta ajudam bastante.


TAMRON

ASL (Aspherical Lens) - Maximizam a qualidade ótica minimizando o número de componentes e, consequentemente, tamanho e peso das mesmas. Evitam distorções nas bordas.

LD (Low Dispersion) - Diminui aberração cromática (é semelhante a Sigma APO ou Nikon ED)

DI - Lentes otimizadas para SLR digitais. Melhoram a distribuição de luz. Podem ser usadas em 35mm também. Semelhante a sigma DG.

Di-II - Desenhadas exclusivamente para digitais, com sensores de tamanho APS-C. Menores e mais baratas. Não servem para SLR Full-Frame (se não me engano causam grandes distorções). Semelhantes às Nikon DX / Sigma DC

IF - Foco interno. Não modifica o tamanho externo da lente

XR (Extra Refractive Index Glass) - O uso do XR optimiza uma distribuição geral do poder ótico e também reduz várias aberrações para o mínimo absoluto enquanto atinge notável compactação. Além disso, o posicionamento adequado de dois elementos híbridos esféricos mantem a performance de imagem e diminuir e comprimir o sistema ótico inteiro.

SP - Super performance - série que indica lente te alta-performance, indicando uso profissional.
Similar ao EX das Sigmas.




(Fonte: SIMERMAN, W. F. Fotografia digital e tecnologia, 2010)

domingo, 1 de maio de 2011

Tu és Fotógrafo ?



É interessante como nos deparamos com situações embaraçosas, cujas conseqüências nos remetem a reflexões sobre como lidamos com nossas próprias dificuldades. Falo da tendência que temos de julgar as pessoas a partir de suas posses, seus títulos e rótulos sociais, ignorando aquilo que representam ou as coisas das quais são capazes de realizar sem que para isso tenham feito uma “faculdade” oficial. Outro dia fui até Abaetetuba visitar uma grande amiga, professora Marília Pontes.  Abaetetuba ou simplesmente Abaeté, sempre me trouxe boas recordações, então sempre que posso, dou uma passada por lá a fim de refrescar a mente nas águas geladas de seus inúmeros igarapés e saborear o típico pãozinho baguete.
Não faz muito tempo as bicicletas eram o principal meio de locomoção da população. Hoje com o aumento de veículos automotores, as bicicletas foram substituídas por uma descontrolável frota de motocicletas, onde a coisa mais difícil é ver algum piloto com capacete ou obedecer às faixas de trânsito. Contudo, o que mais chama a atenção neste cenário caótico é assistir alguns irresponsáveis cidadãos conduzir, sob duas rodas, toda a família, um verdadeiro exercício de contorcionismo, falo de cinco e até seis pessoas.  
Não se trata de um fenômeno exclusivo de minha hospitaleira Abaeté; certamente muitas outras cidades do interior devem ter incorporado em sua pacata rotina, semelhante drama na ordem social. Contudo, o que me levou a escrever estas linhas foi outro fato, o qual  envolve um viajante curioso, três apaixonados torcedores de futebol e um nobre comerciante.
Pois bem, era manhã de sábado e as horas já se avançavam quando resolvi entrar num estabelecimento comercial tão rústico que mas parecia as extintas mercearia portuguesas dos anos 70. O ambiente úmido e com iluminação precária, combinava com as altas paredes de pintura desbotada e descascada (tema interessante sobre textura e contraste de cor em fotografia), a qual exibia numerosas prateleiras de madeira, repletas de mantimentos e bugingangas das mais variadas, desde carne seca, passando por alimentos enlatados, velas, sabão até combustível para embarcações, tudo ali, exposto sem muito critério na distribuição.
Lentamente e com minha câmera em punho, me aproximei do balcão em busca de um cenário que pudesse representar a “antiga Abaeté”. Já a poucos metros da entrada, uma mesa com cinco garrafas de cerveja, dois copos e dois distintos cavalheiros, ambos aparentando uns cinqüenta e poucos anos, conversavam animadamente. Ao fundo uma eletrola tocava clássicos do Reginaldo Rossi. A julgar pelas aparências, tratava-se de dois compadres pescadores, provavelmente, ribeirinhos fazendo hora para voltar a seus lares após descarregamento do pescado na cidade.
O assunto entre os dois era a escalação do "Re-Pa" - para quem não sabe, RePa significa em terras paraoara o duelo entre os dois mais populares times de futebol, o Remo e o Paysandu. Após alguns segundos olhando fixamente para aquela cena, fui interrompido pelo vendedor atrás do balcão:  - Olá, o senhor é fotógrafo? - Sim, mas não trabalho nesta área - respondi de pronto. Em seguida o solicito vendedor rebateu: - Então é apenas uma diversão sua? Eu já fui fotógrafo profissional antes de abrir a merciaria e sacou uma leica de fabricação alemã.
Aquela altura do campeonato nada mais me distraia alpem da conversa com o seu Isaísas, dono da merciaria. Meus pensamentos agradeciam a Deus por ele não ter sacado no lugar de uma mística câmera fotográfica, um três-oitão ou coisa parecida, sei lá, vai que! A partir de então, seu Isaías mudou sua expressão fechada e começou a falar sobre seu passado como fotógrafo.  Contou-me de forma ligeira que sempre foi apaixonado pelo oficio e aquela “pretinha” (a câmera Leica que segurava), nunca o tinha deixado na mão. Seus olhos não negavam o orgulho e a paixão que tinha pela câmera que, segundo ele, ainda funcionava perfeitamente.
Nossa conversa se prolongou por alguns minutos, ocasião em que mostrei minha câmera, comentando sobre seu desempenho e funções e, vice versa. Daí em diante seu Isaías fez a maior das revelações dizendo: “Sérgio, aprendi todos os segredos dessa arte sozinho, sem ajuda de ninguém, tudo por conta própria. Antigamente fotografia era um negócio muito fechado, quem sabia, sabia e não passava pra ninguém, principalmente aqui no interior, onde tudo era mais difícil. Aos poucos fui comprando os reagentes, os filmes, fui experimentando, errando, corrigindo, testando e as oportunidades de eventos sociais como aniversários, casamentos, foram surgindo até que me dei conta, 30 anos havia passado. Hoje, tudo isso que estais vendo aqui – apontou para o estabelecimento - foi conseguido com a ajuda dessa “pretinha”. Com ela consegui criar meus cinco filhos e ainda dei uma casinha para cada um morar, então cumpri com minha obrigação de pai.”   
Naquele instante um jovem vestido com a camisa bicolor invade o recinto dirigindo-se aos dois senhores e já brandindo em alto e bom tom: “Vocês por acaso são técnicos ou já jogaram em algum time para falarem assim do time?” Aquela foi a oportunidade para eu fotografar o ambiente e logo me despedir de meu ilustre prosador, saindo de fininho.
Já no caminho de volta a casa da Marilia, fiquei me perguntando: Para alguém falar ou praticar fotografia com conhecimento de causa, é realmente necessário ser um fotógrafo profissional? Para alguém falar com propriedade sobre futebol ou outro esporte qualquer, é realmente preciso ser jogador ou técnico? Para alguém dirigir automóvel é necessário além da CNH ter  um certificado de motorista profissional ou ser mecânico ou mestre em motores a explosão? Deixo aqui estes questionamentos para que cada qual encontre sua própria resposta mediante reflexão sincera de livre de preconceitos. Para tanto, não podemos desconsiderar o fato de que, diferentemente de certas profissões, a exemplo da Medicina ou Direito (refiro-me a estas duas apenas por se tratar de atividades tradicionais e bem estabelecidas), existem outras profissões igualmente nobres, complexas e tradicionais que não requerem o formalismo acadêmico para serem bem praticadas, bastando para isso, a dose certa de interesse, amor e dedicação a exemplo de seu Isaías, que se transformou num profissional por conta e iniciativa própria, semelhante a muitos outros grandes fotógrafos que esbanjam simplicidade e coragem.
Neste sentido, apesar de não me considerar um profissional em fotografia, continuarei dando dicas sem a intenção de ofender ou desprestigiar os profissionais.