Este é um espaço predominantemente pessoal e familiar, mas não se limita a esta categoria. Tem como proposta fundamental apresentar pensamentos, relatar experiências, propor discussões, criar novas amizades e consolidar as já existentes.

Pesquisar este blog

domingo, 1 de abril de 2018

Pesque (e pague) uma verdade.
O lamaçal que se escancara ao escrutínio de corações e mentes é composto por múltiplas verdades, cada qual subsidiada por repertórios de discursos pró e contra os rumos da carroça-Brasil.
Diante da avalanche de convicções e opiniões por parte dos "tele" (e) espectadores, muitas das quais, combustível à teorias conspiratórias e idealismos radicais de extrema direita e esquerda, uma verdades vem ao anzol: a esperança de justiça e/ou mudança.
Vemos o que queremos ver, ou, quase sempre, o que podemos ver. Infelizmente a maioria de nós nem vê, ouve apenas, isso quando escuta alguma coisa. Em tempos de "Só surubinha de leve", a maioria de nós encontra-se cega, surda ou ambos.
Quantos anos serão necessários para varrermos do mapa a tradição dos falseadores de verdades nos círculos do poder? Pelo andar da carroça, desconfio que nem meus netos contemplarão tal vislumbre. Pobre de nós, outra verdade no anzol, pesque e pague.
Janelas de Belém
"Belem é um ovo". Esse era o nome de uma comunidade no orkut. Lembram do orkut? Será que ainda existe o orkut? Diz-se que Belém é um ovo porque as pessoas conseguem "misteriosamente" se encontrar na pura casualidade, com certa freqüência, desprezando o extenso espaço geográfico da cidade. Inclusive, creio que pelo menos nove em cada dez belenenses já tiveram essa experiência "mística" e, quem ainda não teve, não se preocupe, logo ira chegar a sua vez.
Mas pensando bem, Belém, não há nada de sobrenatural nisso. Desculpe a franqueza, isso acontece, simplesmente, porque as pessoas freqüentam os mesmos (poucos) lugares, apesar de suas muitas janelas e de sua grandiosidade geográfica e tal.
Sim, Belém tem muitas janelas, umas que dão para um rio na rua e outras que dão para a rua num rio, dependendo da estação climática ou sociocultural de quem a vê.
Eu amo a minha cidade com todo o meu coração e minha alma, mas, essa morena que tanto quero bem, tem dado outras percepções não tão belas assim.
Parece que foi ontem, eu saía de casa, pegava um ônibus e em 30 minutos (no máximo), estava na fila do cine Palácio para assistir alguma estreia e não importava o tamanho da fila, podia virar o quarteirão, fizesse chuva ou sol, cinema era a maior diversão.
Não faz muito tempo, brincávamos de pira e tomávamos banho de chuva na rua. Hoje, a cidade inchou, contudo, paradoxalmente (adoro essa palavra!), a sensação é a de estarmos dentro de uma garrafa. Os anos se passaram, crescemos, mas, a cidade toda ficou confinada no interior de uma garrafa, à deriva, tal qual uma mensagens de marinheiros lançadas ao mar, no nosso caso, no mar de incertezas.
É como se estivéssemos isolados do resto do Brasil. Aqui é outro Brasil, não acham ? Temos as nossas próprias encrencas, nossas birras, sotaques e tudo o mais. Enfim, temos as nossas crises e a deles - do outro Brasil - que se dane, pois como toda "novidade", vai demorar a chegar até aqui.
Ah Belém, Belém que te quero bem, diga-me com quem andas que te direi quem és. Não é assim o ditado? Então, pergunto imaginando as múltiplas respostas: Como sobreviver com segurança e dignidade em tuas entranhas ?
Das tuas janelas olho, observo, espreito, rezo. Olho da calçada, de cima dos edifícios, de dentro do carro. Olho do alto, bem do alto, a bordo de um avião ou do rio navegando num pô-pô-pô.
Em qualquer das situações, não consigo distinguir qual das tuas mazelas é a mais perversa conosco. Seria a violência ? Seria a "imobilidade" urbana? O descaso com teu patrimônio material e/ou imaterial ? Seria o teu crescimento desordenado ou a insanidade perpétua dos teus dirigentes?
Olhar com olhos de ver toda a tua exuberância e complexidade é um desafio alcançado, talvez, apenas, através da janela do nosso ilustre músico Alcyr Guimarães na estrofe:
"... Nem bela e nem formosa,
Cabocla desajeitada e pequenina,
Simples como a beleza de uma rosa,
Mundana que não pertence a ninguém...
Olê, olá Belém, olê, olá Belém..."
Eis o sentimento Belém. Essa jovem de 400 anos tem dessas coisas. Tem ou "já teve"?. Viver em Belém é como um casamento de amor e ódio, onde ambos não se separam jamais.
Pequena ou grande, caótica ou romântica, quente ou aconchegante, cheirosa ou suja, isolada ou integrada, Belém, provavelmente, continuara sendo "um ovo" por mais uns tantos anos, um ovo inserido numa garrafa, uma garrafa que navega, que navega a espera de alguém que a enxergue de uma janela.

Doze conselhos de pai para filho

1. Não fume, isso só provoca prejuízos a saúde.
2. Dirija com prudência, evite vícios e preserve os amigos.
3. Não viva de aparências, gaste apenas o que é possível.Planeje-se financeiramente por toda a vida.
4. Não se meta em negócios arriscados e obscuros, a menos que haja aprovação de teus familiares que te amam.
5. Cuidado com as amizades, diga-me com quem andas que te direi quem és.
6. Estude para ser alguém na vida. Trabalhe, nada vale mais que aquilo conquistado com esforço próprio.
7. Economize para adquirir tuas coisas, não deixe para amanhã o que podes fazer hoje.
8. Desconfie das facilidades, esmola demais o santo desconfia.
9. Não espere pelos outros, faz por ti e Deus ajudará.
10. Viva com dignidade, honre tuas dividas, assuma suas responsabilidades e conclua teus compromissos.
11. Seja honesto em todas as circunstâncias da vida, principalmente consigo mesmo e com tua família.
12. Se tem que expiar que seja com equilíbrio, se tem que brincar, que seja com alegria e, se tem que lutar que seja com determinação e coragem.


A nova geração

A vida realmente nos dá lições diárias, os anos passam e com eles as experiências, os embates, os desafios, os temores, as angustias e alegrias, seja no ambiente de trabalho ou familiar e o dinamismo da família em suas sucessivas fases através do tempo nos remete a reflexões.

Um dia desse eu cochichava sobre o barrigão da Jok, conversando com minha filha de 3 meses intrauterino. De repente aqui estamos, prestes a entrar numa outra fase da dinâmica familiar, tudo acontecendo num ritmo decididamente mais veloz que antigamente.

Na minha época, por exemplo, fui para escola (jardim) só aos 5 anos e veja só, minha pequena grande estrelinha com apenas dois anos incompletos, já distingue algarismos e letras, conta de um a dez, soletra as vogais, reconhece animais e objetos, dança como uma bailarina mirim e imita ginastas com peripécias contorcionistas de tirar meu fôlego, sem contar que fala pelos cotovelos que nem a mãe.

Tenho me policiado quanto a pronunciar palavrões próximo aos ouvidos dessa “esponjinha” que é uma verdadeira bênção em nossa vida. Realmente essa geração de brasileirinhos que já chegaram enfrentando o terror do Zika vírus, são precoces em tudo, são atentos e sofisticados.

Pipo? Negatofe. Chocalhinho? Nananina...eles querem é celular, internet, Netflix e Shopping Center - “Chopi” como diz Helena ao ser perguntada para onde quer ir.

Pois é assim mesmo, dizem os avós, que ao estarem noutra fase, merecidamente só curtem a parte boa da neta, não precisando trocar fraudas, nem exercitar despersuasões com a pequena já aos berros.

Ontem acompanhei a Jok na árdua missão, - diga-se de passagem - em encontrar uma escolinha infantil para a nossa digníssima serelepe. Visitamos pelo menos três estabelecimentos em nosso bairro e um último um pouco mais distante. 

Já no retorno para casa, em meio aos panfletos metodológicos e de aporte financeiro fornecidos pelas escolinhas que visitamos, fiz uma parada estratégica noutro estabelecimento. Estacionei rapidola e entrei... Moço, veja três cartelas de Micronor. 0,35 mg por favor, obrigado !

sábado, 30 de setembro de 2017

Doces registros de um pai agraciado com o dom da vida

Antes eram os joelhos e as mãozinhas deslizando sobre o piso, seu grande amigo. A boquinha esforçava-se para sorrir e os olhinhos para fixar objetos. Os dedinhos ainda vacilantes, tocavam o mundo rente ao chão. Agora palminhas não são poucas, o indicador aponta vigoroso, o rostinho caras e bocas, ri, conta, canta e encanta. E no bailar das curtas e ligeiras perninhas, vai uma dancinha gracejante, um desfile com maoszinhas em riste, um vai e vem pra lá e pra cá. A casa ficou pequena e o mundo maior e mais alto, a tudo repara e imita, sempre atenta, observa cada detalhe, absorvendo, aprendendo e apreendendo sem cerimônias. Quisera eu compreender aquelas palavrinhas; mas eu as entendo, dizem o que todos nós dissemos um dia: Estou aqui papai, aqui mamãe, me olhem, me amem, me protejam. Agradeço de todo coração por estar aqui, obrigada pelo cuidado, pela confiança, pela paciência, um dia irei retribuir, vocês não se arrependerão, fiquem certos de que todo o esforço e dedicação irão valer a pena, mas por hora, dou-lhes apenas, traquinagens, chorinhos e sorrisos. 😀

quinta-feira, 1 de junho de 2017


Não sei se já aconteceu com você, provavelmente sim, se não, torça para um dia acontecer, pois trata-se de uma experiência e tanto, o contato com algum "gatilho" que proporcione o acionamento de recordações da sua infância, tão vivazes a ponto de provocar o transporte de outros sentidos como o olfato. 

A internet tem esse poder quando nos proporciona recuperar "coisas" do passado, objetos, sensações, canções, enfim, todo tipo de recordações. Outro dia tive esse prazer ao ouvir uma historinha, cujo áudio era exatamente o mesmo que eu costumava ouvir quando criança. Nos idos de 1985 a tia Neli havia dado de presente para meus primos um estojo em forma de casinha com 24 LPs compactos, cada qual com um conto da disney. A coleção chama-se "Historinhas da Disney"  e eis que 30 anos depois, as encontro na internet.


Segue abaixo uma dessas historinhas que marcou minha infância. Ao ouvi-la, parecia que eu assitia um filme retrospectivo da minha infância, realmente, fabuloso.







sexta-feira, 1 de julho de 2016

Diário de um viajante de sorte. Capítulo 42.  *
Algumas coisas são absolutamente imunes as mudanças dos tempos e do espaço geográfico, permanecendo as mesmas.
Andei por esse caminho diversas vezes. O trecho que outrora ligava dois ambientes, hoje ligou dois mundos: o meu presente com o meu passado.
Dia desses percorri-o demorando mais do que o de costume, pois cada passo carregava consigo o peso de muitas recordações e a sensação de viajar de volta para quando tudo começou.
E em pensar que a maioria daqueles transeuntes que hoje vi passar nem eram nascidos ou estavam se alfabetizando quando nós, graduandos de Biologia por ali passamos.
Por aquela saudosa ponte de ferro no Campus da UFPA vi novamente passos apressados, cheios de orgulho e autoconfiança exatamente igual a 1996, mas também, fez-me lembrar que já estive em dois mundos. Sim, a ponte já me conduziu à dois mundos em tempos distintos
Tal qual Gulliver1, eu também poderia dizer que já estive em Lilliput2 e foram anos incríveis, muito produtivo, repleto de aventuras e desejos concretizados. Após essa fase áurea fui parar em Brobdingnag3 e ali permaneci por seis longos anos, foi quando finalmente encarei-me no espelho.
Foram tempos difíceis que me fizeram rever muitos conceitos e pontos de vista. Não há nada melhor como poder visitar o inferno, assim, só de passagem, e retornar para os planos mais tranquilos da mente, de forma renovada, enxergando o mundo com outros olhos. Certamente aqueles foram anos de intensa experiência, sobretudo, aprendizados sobre mim mesmo.
Esse contraste entre os dois mundos, deixou marcas, a maioria muito boas, outras nem tanto. Sobrevivi, saí com a mochila carregada de itens desejáveis e escassos nos dias atuais, mas, o peso daquelas duras lições durante o convívio com os gigantes, deixaram algumas cicatrizes, desarrumaram o taciturno arranjo de soberba, prepotência e arrogância que compunha o cimento de minha personalidade, encrencas psicológicas que ainda hoje venho caminhando no sentido de resolvê-las de forma lenta e gradual, tal foi a força daquelas experiências, um presente de Deus nesta vida.
A minha viagem continua, estou prestes a cruzar outra fronteira, uma nova fase na vida que irá requerer uma mochila mais pesada de virtudes e acertos, itens indispensáveis para subsidiar minha historia, com atos coerentes às minhas palavras e, assim, possam ser uteis no processo de criação e educação de minha futura descendente.
Tomando como base a referida fábula anedótica a qual serve de pano de fundo para expressar o contexto de meu processo de formação profissional e de reforma íntima, posso afirma que nunca mais me deparei com cidades miniaturas. Hoje em dia as cidades que visito são habitadas predominantemente por gigantes e, quando muito, encontro aqui e acolá alguém da minha altura e então, regozijo-me com a construção da nova amizade e da possibilidade da parceria ao longo da caminhada.



______________________
(*) Texto produzido para uma atividade do curso de especialização em preceptoria no SUS do Hospital Sírio Libanês.

1-            Guiliver:  Personagem fictício de  um romance satírico do escritor irlandês Jonathan Swift, um clássico da literatura inglesa denominado de "As Viagens de Gulliver" 
2-           Lilliput: É uma ilha do romance As Viagens de Gulliver, localizada no distante Oceano Índico. Nessa ilha o personagem principal (Guiliver) encontra uma população de pessoas minúsculas (cerca de 15 centímetros de altura), que o tomaram por gigante.

3-           Brobdingnag:  É o segundo destino de Gulliver em sua época viagem. Após ir embora de Lilliput, embarca em uma nova viagem chegando a Brobdinag, uma terra dos gigantes, e é aí que Gulliver começa a perceber como os liliputianos se sentiam em relação a ele.