Uma aventura que marcou toda uma geração. O enredo era cativante, o cientista Dr. Emmett Brown cria a máquina do tempo em forma de carro e envolve o jovem Marty McFly em grandes apuros no passado de 1955. A trilha sonora é outro show sem igual. Lembro que o filme estreou em Belém em fevereiro de 1986 no cine Palácio e lógico que eu estava na estreia. Por muitos dias este filme formou fila gigantesca, que contornava o quarteirão do cinema. Alguns anos depois, o episódio 2 viria a retratar o futuro de 2015, uma época onde os carros voavam, os skats não tinham rodas e deslizavam no ar e os tênis possuíam mecanismos infláveis de acomodação para os pés. Contudo, curiosamente, não havia celulares nas mãos das pessoas.
Aqueles foram tempos aureos dos cinemas de rua, os quais constituíam uma das poucas, senão a única grande diversão da juventude dos anos 80. Algumas vezes formávamos caravanas para assistir aos filmes em cartaz, foi assim com Os Goones, A história sem fim, Karate Kid, Indiana Jones, entre outros. Depois chegou a febre dos videocassetes e visitar as locadoras de filmes passou a ser rotina.
O privilégio de assistir comendo pipoca na tigela com Baré tuti-frute, esparramados no sofá da sala, traz outras boas lembranças, sobretudo, a feroz disputa que travávamos para ver quem ficaria no melhor lugar, na melhor cadeira com o melhor ângulo de visão, claro que o dono da casa tinha sua poltrona garantida. Se alguém ia ao banheiro perdia o lugar, mas não o filme, pois "o pause" agora estava garantido. O chato mesmo era ter que devolver os títulos no dia seguinte na locadora Vídeo Clube do Pará, uma das primeiras a prestar esse serviço em Belém. Ah Dr. Brown... quisera eu passear pelas dobras do espaço-tempo num Delorean.
Este é um espaço predominantemente pessoal e familiar, mas não se limita a esta categoria. Tem como proposta fundamental apresentar pensamentos, relatar experiências, propor discussões, criar novas amizades e consolidar as já existentes.
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domingo, 2 de setembro de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Sistemas solares humanos
Famílias são como sistemas solares, algumas grandes, outras pequenas. Neste último fim de semana visitei uma amiga na cidade de Abaitetuba e sempre que chego sou recebido com muito entusiasmo e carinho por sua família, uma grande família tanto pelo número de pessoas quanto pela qualidade destas. Seu Miguel é o patriarca, um senhor de setenta e poucos anos, de hábito tranquilo e bastante prosador que, tal qual o sol agregando os planetas, também mantém por perto suas muitas filhas, seus vários genros, netos e bisnetos. É bonito ver a casa cheia de gente num entra e sai permanente, com risadas na cozinha, brincadeiras na sala, nos quartos e corredores, a casa é grande, mas maior ainda é a alegria daquela família reunida. Sim, seu Miguel é de fato uma estrela.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Julho em 2012
O verão na capital paraense teve início com uma semana traiçoeira que trouxe de volta chuvas torrenciais, alagamentos e lentidão no trânsito. Minha agradável caminhada entre mangas verdes e coxas maduras sobre o calçadão do Museu Goeldi foi temporariamente suspensa, até que o sol voltasse a dar o ar de sua graça entre as nuvens e, em seguida pudesse, educadamente, ceder lugar a lua e as estrelas. Mas para os artistas, noites chuvosas são perfeitas, pois alimentam o espírito sedento de inspiração. Seja como for, transitar pelas ruas de Belém durante o mês de julho e, sobretudo, nos finais de semana constitui uma experiência incrivelmente nostálgica. É um embarque na máquina do tempo rumo à épocas pretéritas cuja histeria das buzinas e motores ainda não prevalecia sobre o canto dos pássaros e o chichiar das cigarras. Essa melodia natural que nestes finais de tarde penetram nossos ouvidos, aquecem o coração e transbordam a mente de gostosas lembranças de outrora. É a magia do verão na Santa Maria de Belém do Grão Pará.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
O caminho da educação formal
Esse post originou-se de um outro semelhante, encontrado no blog da Tatiane Souza. Mas por algum motivo, a postagem dela teve a imagem bloqueada, fenômeno ocorrido por toda a internet. Quem sabe isso tenha ocorrido devido a direitos autorais. Seja como for, apresso-me a referenciar os devidos créditos na tentativa de evitar futuros problemas legais.
Esta imagem foi adaptada por mim e representa o Diagrama de Matt Might, professor de Ciências da Computação na Universidade de Utah (EUA). Ele completou seu calombinho na Georgia Tech em 2007 e agora ajuda seus alunos a completarem os seus.
Bom, então continuando, o que é o doutorado? Imagine que o círculo corresponda a totalidade do conhecimento humano. Quando você termina o ensino fundamental, aprende um pouquinho (ponto azul). Ao terminar o ensino médio, avança um pouco mais (círculo verde). Ao concluir a graduação, avança mais (círculo lilás). Com o curso de especialização, aprende mais (protuberância lilás). Com o curso de mestrado você aprofunda o conhecimento sobre uma área específica (vermelho). Com o curso de doutorado ( ou PhD), seu aprendizado finalmente encosta no limite do conhecimento humano (prosseguimento em vermelho). Insistindo mais uns anos no estágio de pós-doutorado você extrapola o círculo do conhecimento humano ( corresponde ao calombinho saindo do círculo). Mas é claro, se você possui outros interesses na vida, não esqueça de dimensionar suas prioridades e continue sempre ultrapassando os seus próoprios limites.
Conclusão de mais uma etapa
E então chega uma época em que os convites ficam prontos e são entregues a banca. Época boa em que as versões do trabalho já não voltam até nós tão vermelhas, visto que as correções se restringe a detalhes e formalizações. Ainda assim, as noites são longas e os dias são curtos e o sono parece desistir de nós. Quando chega aquele momento em que deitamos e fechamos os olhos, surgem nossos amigos, os autores das referências bibliográficas. É um tal de Katz, Chaves, Pellegrino pra lá; Bichara, Soares, Rodrigues pra cá, Bina, Prata, Tibiriça pra acolá, e tome et al. Quando finalmente conseguimos dormir, lá estamos sendo sabatinado pelos avaliadores no “dia D”. Como diz a canção: “ai, ai, ai-ai, tá chegando a hora.."
Camilo Salgado, 10 anos
Diz-se que de médico e louco todo mundo tem um pouco, mas de médico e santo só alguns. Dentre as personalidade paraenses consideradas milagrosas, destacam-se: Crasso Barbosa (1886-1819), João Carlos Maciel (1941-1987) e Camilo Salgado. O dr. Camilo Henriques Salgado Jr., nasceu em Belém na casa n.110 da antiga rua Cruz das Almas, atualmente Arcipreste Manoel Teodoro, no dia 22 de maio de 1874 e falecido em 2 de março de 1938. Seu pai, Camilo Henriques Salgado era lente de Pedagogia da antiga Escola Normal e foi quem emprestou o nome a Escola que, no dia 28 de junho de 2002 (há exatos 10 anos) acolheu-me como professor de Biologia fazendo parte de minha história profissional desde então. Várias pessoas devotas ao médico utilizam uma oração para invocar seus poderes curativos, inclusive publicando-a em jornais como sinal de agradecimento. A prece está assim escrita:
“Deus misericordioso, te agradecemos a felicidade que nos destes, dando o poder ao Dr. Camilo Salgado de ajudarnos a receber as curas dos males que nos afligem, e a caridade e o amor ao próximo, constitui uma prova para nossa fé. Cremos em ti, e na tua bondade infinita, Dr. Camilo Salgado não podemos ir onde te encontras mas tu podes vir até nós. Ouve nossas preces, atende nossos pedidos. Ampara nas provas da vida e vela todos quantos te são caros. Protege-nos como puderes, suavizando os pesares, fazendo-nos perceber pelo pensamento que és mais ditoso agora e dando consoladora certeza, de que um dia estaremos todos reunidos num mundo melhor e que seu progresso espiritual seja cada vez maior. (Associa 1 Pai Nosso e 5 Ave Maria).”
Homenageando essa grande personalidade paraense que conquistou a simpatia de intelectuais e populares, Lucia Simões escreveu:
"Manhã de chuva! O céu triste e cinzento
Pende a chorar sobre a cidade triste!...
Com profundo e sincero sentimento,
Te vemos passar, ó mestre que partiste.
A cidade enlutada, comovida,
Acompanha-te a última morada
Evocando com mágoa enternecida,
Tua figura santa e venerada.
Apóstolo do bem e da caridade,
Tua alma excelsa e cheia de bondade
Voou ao céu a cumprir outras missões!...
Mas não morreste, afinal, mestre querido
Pois continuas para nós bem vivo
"Em nossas almas e em nossos corações."
Ciência e diversão
Este jogo foi um ícone nos anos 80 que nos divertiu muito. Dentre as várias fórmulas químicas, havia uma solução de coloração rosa muito popular, produzida a partir da combinação de quatro substâncias (água, fenolftaleína, hidróxido de amônia e álcool etílico) chamada de “sangue do diabo”.
A graça da brincadeira era borrifar a solução sobre a roupa (de preferência branca) de uma pessoa alheia ao experimento e, fazê-la pensar que o tecido ficaria manchado para sempre. Acontece que após alguns minutos, a mancha desaparecia como mágica. A explicação era simples, a fenolftaleína fica rosa na presença de base e o hidróxido de amônio (NH4OH) é uma base volátil que se decompõe facilmente em NH3 e H2O (amônia e água). Quando o líquido era jogado sobre o tecido, a amônia evaporava e o meio tornava-se neutro, fazendo a fenolftaleína voltar a ficar incolor.
Certa vez, Hans, Fred e Cezar me desafiaram a jogar o tal “sangue do diabo” sobre a camisa do Toninho, colega mais velho, de pavio curtíssimo e que até então desconhecia aquela "mágica". Não deu outra, por pouco, mas por pouco mesmo, o Toninho não produziu uma reação de coloração roxa no meu olho esquerdo. Nunca mais esqueci a reação NH4OH ⇌ NH3↑+ H2O que um dia salvou a minha vida.
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